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domingo, 01 novembro 2015 00:00 Escrito por 

Concurso 'Queijos de Portugal 2015'

Decorreu em Tondela, nas instalações da ControlVet, a sétima edição do concurso organizado pela Associação Nacional de Industriais de Lacticínios (ANIL) e que é o maior realizado no nosso país, seja pelo número de queijos apresentados a concurso (184), seja pelo número de produtores presentes (47), seja pelo número de categorias avaliadas (20).

Neste concurso, os queijos são avaliados por um alargado painel de provadores de experiência e méritos reconhecidos. Os responsáveis de DosQueijos foram, uma vez mais,simpaticamente convidados a integrar esse painel e tiveram, dessa forma, a oportunidade, um outro ano, de integrar uma ‘equipa’ em que cada um com experiências e perspectivas distintas, não só permitem uma avaliação dos queijos de forma muito criteriosa, como, pela troca de impressões que sempre realizam, muito beneficiam a aprendizagem de todos.

Para além disso, o concurso é um momento de confraternização anual de um conjunto de pessoas que, para além de outros laços pessoais e profissionais que possuem, se unem por um traço comum: a forte paixão pelo queijo.

Mas, numa altura em que proliferam os chamados selos distintivos (produto do ano, sabor do ano, marca de confiança, produto cinco estrelas… e por aí fora) fará sentido explicar a mecânica deste concurso e a seriedade, objectividade e transparência com que, ano após ano, é montado e realizado, com o forte empenho de Maria Cândida Marramaque e da Cristina Nogueira.

Assim, depois de lançado o convite a todas as empresas produtoras (e apenas a estas), as mesmas inscrevem os queijos com que desejam concorrer, numa das vinte categorias a saber: queijo fresco, requeijão, queijo de cura normal (até 60 dias) e queijos de cura prolongada (mais de 60 dias), fabricados, respectivamente, com leite de vaca, leite de cabra, leite de ovelha e mistura de leites (com dois ou três daqueles leites). Além dessas 16 categorias, adicionam-se também as de queijo flamengo, queijo Ilha, queijo de barrar e os denominados queijos com ‘novos sabores’. 

As empresas concorrentes devem depois, nos prazos designados e já próximo da data do concurso, fazer chegar as amostras (a rondar os 2 kg por queijo inscrito) à organização, sendo que os queijos não deverão apresentar rotulagem, nem outras marcas identificadoras, e serem acompanhadas de ficha técnica referenciando as características essenciais do queijo, tais como composição, lote ou data de fabrico. 

A partir daqui é a verdadeira estrutura do concurso – levado a cabo, desde a primeira edição, por uma empresa especializada na área da análise sensorial, a Full Sense - que começa a funcionar, sendo que a cada queijo é atribuída uma categoria e um código, terminando aí a identificação do queijo com a sua marca e fabricante.

Os queijos são cuidadosamente armazenados, respeitando os requisitos de temperatura e acondicionamento que exigem e são multiplamente codificados, de modo a poderem participar nas diferentes fases do concurso sem nunca serem apresentados com o mesmo número de código. No apoio para acondicionamento, corte e serviço à sala de provas, esteve – pelo terceiro ano consecutivo - a turma de Turismo da Escola Profissional de Tondela.

O júri, composto por personalidades de reconhecida competência – professores universitários, técnicos que passaram pelo sector, responsáveis de organismos de certificação, chefs, críticos gastronómicos,.. – é, numa primeira fase, dividido em subgrupos, sendo que cada uma dessas equipas se encarrega de avaliar todos os queijos de um determinado conjunto de categorias. No segundo dia, todos os júris avaliam todos os queijos que ascenderam às finais da sua categoria (três por categoria)… Assim, na edição deste ano, dos 184 queijos a concurso, cada júri avaliou, em média, entre 100 e 110 queijos diferentes. 

 Os queijos são objecto de uma primeira etapa de avaliação, chamada ‘Fase Visual’, onde cada júri classifica (de 1 – mau a 7 – excelente, para todos os parâmetros) o aspecto exterior, o aspecto ao corte (a pasta) e o aroma do queijo. Posteriormente, é apresentado aos provadores um conjunto de amostras (sem qualquer marca exterior) daqueles mesmos queijos para a chamada ‘Fase Gustativa’, na qual apreciam (também de 1 a 7) o paladar, a textura e outras sensações na boca e o chamado retrogosto ou sabor-de-fim-de-boca, para além uma impressão global do queijo. 

As amostras apresentam sempre um código numérico identificativo, sendo que o código do queijo na Fase Visual é diferente do código desse mesmo queijo na Fase Gustativa.

No segundo dia do concurso (e sempre depois de uma maratona que as responsáveis da FullSense – Marta Vacas de Carvalho e Maria da Luz Ramiro – fazem para apurar os finalistas), os três queijos melhor classificados de cada categoria são apreciados daquela mesma forma (fase visual e fase gustativa) e de acordo com os mesmos parâmetros para apuramento dos vencedores.

Os queijos são sempre provados dos sabores menos intensos para os mais intensos e nas mesas de trabalho dos provadores estão permanentemente disponíveis água, maçãs ácidas e tostas de pão branco, para permitir ‘limpar’ a boca entre provas.


Como se vê: uma verdadeira maratona!... 

Uma nota final para referir que o vencedor de cada prémio pode rotular nos seus produtos o selo do concurso relativo ao ano em que venceu e que os dois outros finalistas recebem menções honrosas, as quais podem ser utilizadas na comunicação publicitária das empresas, não podendo, contudo, ostentar o selo nessa comunicação nem utilizar o mesmo na respectiva rotulagem. Acresce ainda que a participação de cada queijo no concurso tem um custo de poucas dezenas de euros.

Anteriores edições do concurso:

 

 

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